segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Como perder uma década

Roberto Campos ainda atual:
Do artigo: Como perder uma década -
Roberto Campos 14/06/1998
"Seria uma ressurreição satânica retirarmos Lula e Brizola - esse casamento do analfabetismo econômico com o obsoletismo ideológico - da história para o proscênio do poder.
Compreensivelmente, ambos lutam contra o neoliberalismo. É que são neoconservadores. Opõem-se globalmente às reformas, protestam contra a abolição dos monopólios estatais, pois as corporações burocráticas são suas pastagens políticas privilegiadas. E se esquecem de que os monopólios pouco ou nada rendem ao Tesouro, cujos dividendos são muitos inferiores às contribuições alocadas ao patrimônio privado dos fundos de pensão dos funcionários.
Não querem a reforma administrativa, pois desejam conservar a estabilidade do funcionalismo, discriminando contra os trabalhadores do setor privado. Opõem-se à reforma do sistema previdenciário, que maltrata os trabalhadores comuns, desviando recursos para aposentadorias precoces e especiais. Lutam contra a desregulamentação trabalhista, esquecidos de que ela expeliu 57% da mão-de-obra para a economia informal, de sorte que há muitas garantias e poucos garantidos.
Os neoconservadores falam em democracia, mas têm cacoetes antidemocráticos: o monopólio estatal é uma cassação do direito de produzir; a previdência pública compulsória priva o trabalhador do direito de escolher a quem confiar a administração de sua poupança.
A inflexibilidade da legislação trabalhista dificulta ou impede a livre negociação entre patrões e empregados.
Não é surpresa que defendam a universidade pública gratuita, que subvenciona ricos e abastados, roubando recursos à educação de massa primária e secundária.
Subjacente ao discurso neoconservador, há uma aversão ao lucro empresarial ignorando-se o fato de que o lucro de hoje é o investimento de amanhã e o emprego de depois de amanhã.
Quinze anos de convivência no Congresso com o PT e o PDT me ensinaram que o esporte preferido desses partidos é a briga com a lógica econômica.
Falam na modernização da economia, mas insistem em manter instituições obsoletas.
Querem gerar empregos, mas rejeitam medidas para aumentar a empregabilidade. Essas exigiriam atitudes pouco simpáticas aos neoconservadores: a) privatização de estatais, pois o Estado perdeu capacidade de investir; b) alívio da carga fiscal, coisa incompatível com o Estado grande; c) abertura para investimentos estrangeiros; d) concentração de recursos na educação primária e secundária, para "tecnificação" do trabalhador."
ALANTERNANAPOPA.BLOGSPOT.COM
Roberto Campos e outros pensadores liberais misturados com pitacos…

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